Dizem que escrever é uma forma de Auto amor.

Mas eu acho que escrever nada mais é do que emprestar a própria atenção a si mesma.

É o olhar para dentro, e ver o que temos de mais íntimo e criativo dentro de nós.

Já ouvi por aí dizer que “escrever poupa-nos idas ao psiquiatra”.

Assim sendo…

Pouparei decerto idas ao psiquiatra. E espero com isso levar alegria e amor a todos vocês.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Depois de tantos anos ela ainda acorda, com a sensação de que ele está ali ao meu lado!
Por breves segundos procura-o no espaço vazio e frio!...
O quarto ainda te o cheiro dele... Ou então ela imagina o aroma entranhado no seu corpo!
Ela já não sabe mais nada...
Levanta-se sem pressa, na casa de banho a escova de dentes dele ainda permanece no copo como se esperasse o seu regresso, ela já perdeu a conta a quantas vezes lhe pegou para a jogar no lixo, mas voltou a colocá-la no sitio.
Na sala retirou todas as fotos era muito angustiante vê-lo a sorrir a toda hora e porque no quarto ao lado dormia alguém que não a deixava esquecê-lo.
Os mesmos olhos cinzentos olhavam-na todos os dias.
As perguntas há muito se esgotaram, por falta de respostas...
Ele sabe que tem pai! Porque todos os meninos na escola têm!
Só que o dele foi embora sem ao menos saber que ele estava para nascer...
"Ele não te julga" pensava ela e eu não te culpo. Juro!
Afinal ele não sabe... e continua sem saber que existe algures... um menino com vontade de conhecer o pai!
Não é por egoísmo ou vontade de o castigar... ela simplesmente não sabe onde ele está!
Nunca soube...
Foi como um pesadelo...
E sem que nada o fizesse prever ele chegou a casa um dia, fez as malas e disse-lhe:
"Vou embora! "
"Amo-te mas ainda não tenho idade para estar preso a uma relação quero viajar, conhecer o mundo amadurecer..." deu-lhe um beijo e partiu dizendo: "Um dia quem sabe eu volto"
Ela ficou inerte, sem fala sentou-se no sofá para não caír, a voz não saía, as palavras morreram na garganta... Queria gritar que estava esperando um filho, mas ficou muda...
Perdeu a conta aos dias que ficava acordada até tarde, esperando que ele voltasse, tentou ligar-lhe, mas o número estava desactivado.
Qualquer barulho estranho, ela pensava que poderia ser ele... mas eram apenas ilusões!
Ele nunca mais voltou. Afinal não a amava o suficiente.
Com o tempo ela habituou-se a fazer tudo sozinha!
Os passeios à tarde na praia nas quentes tardes de Verão, as idas ao cinema, o entrar em todas as lojas e não comprar nada, montar a árvore de Natal, enfim...
Agora não!
Agora ela tem alguém que faz tudo isso com ela, um ser pequenino mas que é a sua razão de viver! E é só dela!!!
As pegadas na areia, agora são marcadas a pares... O Natal é vivido a dois, os sorrisos voltaram à sala vazia dele...
Enquanto lava os dentes ela imagina se ele voltasse, pensa que não quer pensar nisso, espera mesmo que ele nunca o faça, ela não saberia o que dizer ao filho.
Nem estava preparada para o receber...
Ela tem esperança de um dia acordar e não lançar mais os braços à sua procura...
Limpa o rosto, e volta para a sala, mas a meio caminho torna a voltar atrás, pega na escova de dentes azul e sem hesitar manda-a para o lixo.
Pronto, pensa ela:
"Já nada resta que me faça lembrar de ti..."
Apenas os mesmos olhos cinzentos... mas esses são lindos!
Um dia... quem sabe... ela vai conseguir esquecê-lo de verdade, hoje foi só um teste camuflado de coragem.

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