Dizem que escrever é uma forma de Auto amor.

Mas eu acho que escrever nada mais é do que emprestar a própria atenção a si mesma.

É o olhar para dentro, e ver o que temos de mais íntimo e criativo dentro de nós.

Já ouvi por aí dizer que “escrever poupa-nos idas ao psiquiatra”.

Assim sendo…

Pouparei decerto idas ao psiquiatra. E espero com isso levar alegria e amor a todos vocês.

terça-feira, 26 de março de 2013

1ª Parte

Acordou com o toque estridente do telefone, olhou para o relógio que marcava 3:15 da madrugada, quem teria a ousadia de lhe ligar a esta hora, resmungando lançou o braço e pegou no auscultador:
-Hello…
Do outro lado uma voz familiar e muito querida disse a meia voz:
-Desculpa, sei que aí é madrugada, mas não ficaria bem comigo própria se não ligasse.
-Sofia a tua mãe foi hospitalizada, está muito mal.
Ao ouvir as palavras da amiga, Sofia congelou… nem sabe quanto tempo ficou em silêncio, se foram minutos ou apenas alguns segundos. Do outro lado a amiga continuava:
-Que vais fazer? Vens? É a tua mãe…
Toda ela tremia sentou-se na beira da cama sem saber o que responder. Agradeceu à única amiga que mantinha em Portugal disse que iria pensar e desligou.
Já tinham passado 15 anos desde a última vez que vira a mãe e agora o passado tinha voltado para a atormentar.
Ela sempre amara aquela mãe tão meiga e amorosa.
Mas a submissão que dedicava ao seu pai sempre fora motivo de discussão, Sofia não tolerava o pai, era um homem austero, frio e de pouca conversa.
A infância foi passada nas margens do Douro onde o pai tinha vinhas a perder de vista, a sua única companhia era o João filho do caseiro, nem o facto de ser três anos mais velho impediu esta amizade. Ele era seu amigo, talvez o único que não a gozava pelos cabelos avermelhados que tinha.
Mas os anos passaram, Sofia tornou-se uma menina/mulher e o pai proibiu aquela amizade. O João era o filho do caseiro, não era alguém do nosso meio. Ela não entendia que meio o pai falava, o João sempre estivera ali para ela, e agora era mais que amigo, era alguém por quem ela suspirava de noite quando estava sozinha no quarto, era sempre ele que invadia os seus sonhos e era com ele que ela se imaginava um dia entrar na igreja.
Quis o destino que nada disso acontecesse, e um dia com apenas 17 anos Sofia confessou à mãe que estava grávida do João, viu a mãe ficar pálida e as lágrimas escorriam pela face enrugada mas não pronunciou qualquer palavra, Sofia sabia que as palavras sairiam da boca do seu pai e não seriam nada bonitas, mas isso não a incomodava, aprendera desde cedo a fazer-lhe frente e a nunca chorar na sua presença.
E com a noite veio o seu maior pesadelo, o seu pai…

(continua...)

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